Me chamo Diane, tenho 30 anos, sou uma baiana vivendo em São Paulo há 11 anos, psicóloga, casada com um homem maravilhoso, mãe do Arthur de 3 anos e de Beatriz de meses! Evangélica da Assemb.de Deus do min. madureira, filha, mãe, esposa, mulher, irmã, amiga, prima, sobrinha... sou um pouco mais de tudo isso ai!

terça-feira, 20 de março de 2012

Hoje começa o tratamento!

Ironicamente hoje, eu e Tiago, completamos 8 anos que estamos juntos. E descobrimos o indesejado um dia antes do nosso aniversário de casamento quando completamos 6 anos.

Não dá para expressar em palavras a dualidade que sentimos naqueles dias. Estavámos felizes e agradecidos, porque a Bia havia chegado e super bem. E esse câncer (o maldito indesejado) só apareceu no final da gestação quando já podíamos tirar, ahh, falando em tirar... eu tinha me preparado para meu tão sonhado parto normal (doce ilusão), e até cogitei a idéia, mas eu mesma cheguei a conclusão que diante daquele diagnóstico, não sei se conseguiria, tava tudo fora do lugar ainda, principalmente pela não amamentação.

Ainda na espera, da maternidade, lembrei de ligar para Dra Jane (a pediatra dos meus filhos), aliás essa sim, me compreendeu. Então peguntei se minha irmã podia amamentar a Bia. Sim, sim, sim, ela respondeu. uhuuuuu, eu tinha um consolooooooooo (contarei adiante sobre isso)!!

Minha GO, aquela fofa, já passou vários exames para adiantar o estadiamento.

As primeiras pessoas a nos visitarem foram os "dindos" de coração do Arthur, como somos evangélicos não batizamos, mas um dia disse a eles que se existe eles seriam o escolhidos, pronto. O título é deles, ahhhh como eu amo esse casal. Ela é minha amiga de faculdade, psicóloga competentíssima, e o Dudu desde o dia que conheci me apaixonei, pense numa pessoa engraçada por natureza, com um coração maior que ele! Fui madrinha do casamento deles, e agora ela também está grávida, aliás já está para nascer. Amigas de barriga também!

Voltando ao assunto, eles chegaram e ela começou a perguntar da amamentação, logo eu que sempre levantei a bandeira, que amamentei o Arhtur 6 meses exclusivamente no peito. Ahhh não tinha como esconder, contamos. E adivinha o que aconteceu? Choraram junto conosco. Fizeram uma oração lindissima, ela né?!? Porque ele, ai ai estava visivelmente triste.

Poo, e naquele sábado era aniversários das filhas de outro casal amado. Ana e Carioca (Erich para poucos, como ele mesmo diz). As lindinhas Ananda (3) e Mila(1) nossa afilhada, estava aniversariando e nao pudemos ir, óbvio né?!? Mas, Henrique e Elilma foram depois de terem ido nos visitar e contaram, e adivinha o que aconteceu?! Mais choro.

No decorrer daquele sábado e domingo, cada pessoa que nos visitava ficava sabendo. Ohhh que terrivel, chegavam felizes e contentes, e tibum recebiam a notícia, claro que tentávamos amenizar, contar com delicadeza, mas a palavra câncer, ela ainda é forte como a morte. As pessoas, principalmente as meninas, choravam, e a bonita aqui consolava, que ironia, eu que tinha que ser consolda, mas estava tão bem, tão forte e tão agradecida que eu consolava.

Tá, meus olhos diziam o contrário, até porque ainda estavámos tentando digerir tudo aquilo.

No domingo, meu pastor foi me visitar, orou e me ungiu. A primeira de muitas unções. Quando eles chegaram, eu estava ouvindo música, e cantava Fernandinho que dizia assim: "ainda que a figueira não floresça, ainda que a videira não dê o seu fruto, mesmo que não haja alimento nos campos, eu me alegrarei em Ti..." e Sara (amiga amada) olhou para mim e disse: E ai, vai conseguir fazer isso? Respondi que esperava que sim.

Falando da quimio. Sábado demos um culto de ação de graças aqui em casa, como disse temos muito a agradecer. Citarei os que nos levaram ao culto. Na verdade sempre agrademos pelo nosso casamento, ano sim, ano não damos um culto pelo nosso casamento e reunimos os amigos. Mas, agora tinhamos mais motivos, compramos uma casa e reformamos, o nascimento da Bia e a minha saúde, a Carú me lembrou bem. Me disse: - Amiga, agradece antes!

Quando todo mundo foi embora, eu tava num frio da bexiga (como diria Elias). Temperatura 37.6, de madrugada 37.9, tomei um tylenol e dormi até meio dia, parecia gripe porque o corpo estava meio dolorido também. Domingo fui a igreja, os adolescentes cantaram "eu vou passar pelo fogo outra vez, mas sei que vou conseguir..."

Segunda, saimos para jantar com os pais do Tiago, minha mãe e Elilma. Amo outback, a Bia dormiu em casa e so acordou quando voltamos, é uma linda mesmo. E ainda lá, a febre voltou. Eu estava num "cagaço" retado. Que medo, eu estava apavorada! Chegamos em casa e eu tinha que tomar os remédios. Um para secar o leite e outro corticóide para a quimio. Mandamos mens, pro meu onco, mas ele não respondia. Então liguei pra Dra Ju. e ela me instrui a tomar o tylenol e os outros porque achava que ia começar assim mesmo.

Antes disso liguei para irmã Nilma e para Janete e pedi que orassem, se fosse Deus tudo bem, mas se não fosse que essa febre desaparecesse, porque eu não queria e nem podia adiar mais o tratamento. O nódulo debaixo do braço está grande, sinto sem a menor dificuldade, quando descobrimos há 50 e poucos dias atrás eu tinha dificuldade de achar. Agora? Nem preciso tocar, mas apertar meu braço contra o corpo que sinto.

Tomei os remédios, lemos o Salmo 91 e oramos, eu minha mãe e Tiago. Depois da oração, eu já estava bem melhor, pelo menos aquele medo tinha saido, aquele pavor caiu fora!

Subi, tirei um restinho de leite e tentei dormi, demorou um pouco, mas consegui. Suei em bicas, tive que trocar de pijama durante a madrugada, antes de dormi conversei com o Ti. Sabemos que não tem sido fácil pra mim, mas para ele também não. E as pessoas ficam falando para ele ser forte o tempo inteiro, tirei esse fardo das costas dele e dividi. Estamos juntos, ele não tem que ficar forte o tempo todo coisa nenhuma, e se ele sentir que tá pesado, vamos sentar, conversar, nos abraçar e nos ajudar. Amo tanto meu marido, ele SEMPRE FOI meu companheiro.

7:30 da manhã o onco liga perguntando como estava, e disse que seguiremos com o tratamento, e explicou que estava sem bateria.

A Bia estava dormindo com a minha mãe, resolvi descer para ver se tinha leite, esquentei e logo em seguida ela acordou. Tomou um leitinho da mamãe e capotou dinovo. Tá aqui no carrinho do meu lado. Minha pricesinha.

Fiz uma boquinha e vim escrever. Falando nisso, a Gabi uma linda que tenho o privilégio de ter como amiga, um belo dia me liga e pergunta se pensei em ir numa nutricionista. Claro que não, nem tinha pensado nisso. Pois bem, ela não só meu levou na dela, como pagou a primeira consulta! Obrigada amiga, mais uma vez, obrigada. A nutricionista fez uma dieta para fortalecer meu sistema imunológicoepara controlar o peso, uma vez que é comum quem tem CA de mama engordar.

Fala sério né!?!

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